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É preciso dizer basta

por Pantapuff, em 14.11.15

O horror que aconteceu ontem em França foi um doce para quem defende que os Sírios deviam morrer na terra deles.
Voltaram a acender-se as tochas e voltaram a juntar-se para se revoltar contra os que fogem de uma guerra que dura há demasiado tempo.
Estes belos seres vivos ainda não compreenderam que é disto que eles fogem, é isto que o Estado Islâmico faz, os muçulmanos não são o Estado Islâmico nem este representa todos eles...
Vivemos tempos estranhos e tenho vergonha das atitudes de algumas pessoas.
O meu coração está com os franceses e todos os que têm sofrido às mãos de terroristas que nada mais querem além da destruição. Não é por isso que me vou virar contra os refugiados. É tempo de perceber quem são os maus da história.
É preciso pararem de se preocupar apenas durante um par de dias até se mudar a foto de perfil ou quando todos já tiverem partilhado a hashtag do momento...

É preciso fazer algo para que este flagelo tenha um fim.

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publicado às 15:38

Tenho vergonha...

por Pantapuff, em 10.09.15

A cada dia que passa tenho mais vergonha de dizer que partilho a mesma nacionalidade que umas certas pessoas (ainda me questiono se posso chamar pessoas).

Porque não bastava valores mais altos, altamente nacionalistas e a favor de todos os pobres (nada contra, apenas condeno que seja APENAS nestas alturas) agora organizam-se manifestações contra a vinda dos refugiados para Portugal.

 

Aparentemente a CML aceitou esta demonstração de (inserir palavra aqui) por parte de seres vivos (não me apetece dizer que são pessoas). Gosto de salientar ali o terceiro sublinhado que indica que estão a criar meios de "continuar a propagar". Ora bem, isto mostra que a xenofobia e preconceito são contagiosos? Espero que não, que estou muito bem assim.

Ao ver melhor o "evento" leio o seguinte post:

 Vamos por partes (e por ordem) ok?

- têm tido queixas de que o grupo incita ao ódio e xenofobia. Epá a sério? Estou chocada com esta afirmação. Para informação: também fiz report.

- Precisam de polícia para o caso de distúrbios de pessoas mal intencionadas? Estão a gozar com a minha carinha fofa? Mal intencionados são vocês que querem recusar um bocado de oxigénio a quem sofre...

- Não são racistas nem xenófobos e mostram isso utilizando sílmbolos nacionalistas... mais vale pintar cartazes a dizer "se não nasceste cá baza para a tua terra".

- Vão representar as preocupações relativas à entrada de pessoas "fora" dos costumes portugueses. Epá mas isso resolve-se bem. Pegamos em vocês, claros exemplos do mais puro nacionalismo, e vão ser formadores. Já imagino os pontos da formação:

1. Novelas da noite

2. Falar sobre futebol

3. Imperiais e tremoços

4. Ignorar todas as fontes de informação e consumir lixo de grupos manhosos no facebook

5. Bater com a cabeça na parede até ficar com danos permanentes e assim juntarem-se à nossa causa.

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É que já não há mais nada para ver... Quando vejo argumentos que não o são...Vamos morrer, ser violados, rezar cinco vezes ao dia... os meus pais não me conseguiram manter na missa todos os santos domingos e eram eles que me punham a comida na mesa... vocês que ouvem música estrangeira e vestem marcas que são tudo menos portuguesas querem agora vir dizer que estão muito preocupados com os de cá?

Quantas vezes vão ajudar os sem abrigo? Quantos de vocês são voluntários? Quantos de vocês faz doações para caridade? Quantos de vocês sabe sequer onde é a instituição mais próxima de vossas casas?

Vocês que não percebem um cu do que raio andam para aí a vomitar falam do que não sabem, do que não percebem e invocam valores que não têm.

Ganhem vergonha na cara e ao menos façam voluntariado para poder mandar postas de pescada.

Tenho vergonha de partilhar a mesma nacionalidade e por isso hoje declaro aqui que não sou portuguesa! Não sou. Não quero partilhar esse laço com tanta gente triste, mesquinha, falsa, oportunista, ... (podia continuar mais uns tempos). Sou uma cidadã do mundo (e vá estou a controlar-me para não declarar que venho da Lua) e como cidadã do mundo vos digo: espero que nunca venham a ter de sofrer um terço do que esta gente sofre.

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publicado às 22:59

Tenho medo...

por Pantapuff, em 08.09.15

Foto: Unicef / NYHQ2015-2071/Georgiev

 

Durante estes últimos dias ando triste...

Sempre me orgulhei de dizer que pertenço a um país de pessoas que por muito pouco que tivessem arranjavam sempre forma de dar um bocadinho.
No entanto tenho visto que esta caridade ocorre duas vezes ao ano: Natal e Páscoa. Poucos se lembram dos sem abrigo fora da época em que o Banco Alimentar faz as recolhas de alimentos.
No entanto agora levantam-se as vozes... as vozes dos que nada fazem para ajudar os sem abrigo a usá-los como escudo para se recusar ajuda a quem foge de uma guerra. Invocando supostos valores religiosos... dizendo que vão violar as mulheres e crianças e matar indiscriminadamente...
É nestas alturas que vejo a falta que faz um bom livro na educação... é nestas alturas que vejo a falta de cultura do meu país pequenino e sossegadinho. É nestas alturas que perco a esperança na humanidade e já nem as poucas almas boas compensam as atrocidades que leio, todos os dias, várias vezes ao dia.
Não posso dar dinheiro, não posso acolher ninguém em minha casa mas faço intenções de ajudar quando começar a recolha de bens de primeira necessidade. Já ajudo os meus dessa forma, não vou negar a quem foge de um país em guerra.
Vejo tanta gente a queixar-se que estes refugiados têm bons computadores e bons telemóveis. E? Vocês sabem o nível de vida que estas pessoas tinham? Qual é a desculpa dos muitos desempregados para manter telemóveis topo de gama? Aí não dizem nada? Não reclamam? Não apregoam que deviam trocar para coisas mais baratas e vender o que têm para ajudar a pôr comida na mesa? Quantos portugueses temos a viver de apoios do Estado quando não precisam? Quantos portugueses temos a pedir o RSI e afinal trabalham sem contrato e não fazem os seus descontos? Já imaginaram os milhares de Euros que podiam ser assim canalizados para quem de facto precisam?
Quantos desempregados andam aí a recusar trabalhos porque não acham que são bons o suficiente ou que não têm jeito para a coisa?
Mas não, nisso não pensam. Preferem direccionar o ódio para os refugiados.
Quantos dos que acham que devíamos de mandar esta gente toda para a terra deles já sofreu o que eles estão a sofrer? Se fossem vocês com os vossos filhos nos braços não tentariam procurar abrigo num lugar bem longe e pacífico? Eu faria o mesmo que eles. Fugia, procurava ajuda num outro país, tentava salvar a minha família mesmo que tivesse de dar tudo o que tivesse.
Dizer que um muçulmano é um bombista suicida só porque uma pequena parte é, é o mesmo que dizer que todos os alemães são nazis...
Leiam, aprendam qualquer coisa, eduquem-se. Estudem história, estudem religião, estudem um pouco de política e sociologia. Eduquem-se para quebrar esses muros de ignorância que colocaram à vossa volta...
Tenho medo, admito que tenho muito medo. Não por ter refugiados a chegar ao meu país... tenho medo porque a humanidade chegou a este ponto. Tenho medo porque vejo que alguns pensam que têm mais direitos que outros... Tenho medo porque o preconceito mata...

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publicado às 11:49

PAR - Plataforma de Apoio aos Refugiados

por Pantapuff, em 04.09.15

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Foi hoje lançada a PAR - Plataforma de Apoio aos Refugiados. Um passo grande e muito importante para se poder prestar ajuda a quem está a passar por momentos que espero nunca viver na minha vida.

Se querem ajudar de alguma forma, o site disponibiliza todas as informações necessárias.

http://www.refugiados.pt/

Podem também acompanhar a PAR no facebook e saber as novidades desta plataforma.

 

Vamos ajudar quem mais precisa :)

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publicado às 13:58

Salvem os refugiados

por Pantapuff, em 28.08.15

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Vamos falar de um assunto sério... o flagelo das mortes no Mediterrâneo. Sinceramente não sei bem como abordar isto de forma clara porque é um assunto que me revolta e dá vontade de colocar pessoas em fila e correr tudo à chapada... ou ao murro.

Vivemos num mundo onde todos somos Charlie, onde se grita que se deve acabar com as touradas por ser algo selvagem e cruel, onde todos choram um cão abandonado mas onde muitos acham que os que fogem à guerra deviam ficar na terra deles e parar de tentar esconder-se na "nossa" Europa. Ai morreram? Ficassem na terra deles que esta é a minha. Alguns alegam que estas pessoas não merecem ajuda porque se o caso fosse ao contrário não nos dariam sequer um pão. Que pensamento é este? São estas as mesmas pessoas que acham que matar um touro é cruel mas ficam na boa ao ver imagens de centenas de pessoas que morrem na tentativa de fugir para se salvar a uma guerra, para salvar os filhos que são inocentes... Em que mundo vivo eu? Um mundo xenófobo, invejoso, frio e cheio de seres vivos que nem merecem ser chamados de seres humanos.

Choram porque a vida está má mas eu só penso nestas crianças. Se tivesse filhos faria o mesmo, dava tudo para os poder salvar a uma guerra que não foi causada por eles. Não consigo imaginar o desespero destes pais porque felizmente nunca sofri uma situação destas. 

Quando olho para aquelas fotos daquelas crianças sem vida só penso nos meus irmãos, nos meus sobrinhos e não consigo ficar indiferente. Não sei como alguém consegue ser frio ao ponto de ficar indiferente a tudo isto.

É necessário parar isto, é necessário ajudar estas pessoas, é preciso salvar vidas!

 

Foto: Jornal Público

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publicado às 23:31



Alexandra Rolo | Pantapuff

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Nascida em 1989, em Lisboa e com uma infância marcada por demasiados filmes de ficção científica é formada em História Moderna e Contemporânea (ISCTE-IUL), História Religiosa (FLUL) e Gestão Cultural (ISCTE-IUL). Conhecida online enquanto Pantapuff, é blogger desde 2005 e tem colaborado em diversos projectos online, normalmente ligados às áreas da literatura (fantástica e FC) e da internet. Hoje faz do online a sua vida, trabalhando como gestora de redes sociais. Youtuber, bookworm, cosplayer, nerd, Potterhead e Whovian assumida é normalmente vista de phones, telemóvel, iPad e Kindle. O seu maior medo é ficar sem bateria ou perder o acesso à internet.


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