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Racismo e Black face no cosplay?

por Pantapuff, em 18.01.17

Já devem imaginar pelo título que a coisa anda azeda mas temos de agradecer aos defensores dos direitos humanos de ocasião.

Vamos começar com uma visita aos dicionários:

Black face:
When white actors would paint their faces black to resemble black people. Accompanied by a performance stereotyping them as buffoons.
The white actor donned blackface for his minstrel show. (Fonte: Urban Dictionary)
 
White wash:
Someone who is looked at as leaving behind or neglecting their culture and assimilating to a white, western culture. (Fonte: Urban Dictionary)
 
Cosplay: 
noun 1. the art or practice of wearing costumes to portray characters fromfiction, especially from manga, animation, and science fiction. 2. a skit featuring these costumed characters. (fonte)
Racism:
noun 1. a belief or doctrine that inherent differences among the various humanracial groups determine cultural or individual achievement, usuallyinvolving the idea that one's own race is superior and has the right todominate others or that a particular racial group is inferior to theothers. 2a policy, system of government, etc., based upon or fostering such adoctrine; discrimination. 3. hatred or intolerance of another race or other races. (fonte)

 

**_**

 

Agora que temos as keywords e as respectivas definições vamos lá então ao tema do dia: racismo e black face no cosplay.
Quem acompanha aqui o estaminé já sabe muito bem o que é o cosplay, que eu faço parte dessa comunidade e que é tudo arco-íris e unicórnios... excepto quando não é. A comunidade gaba-se de aceitar todos sem discriminação, não importa a cor da pele, se são gordos ou magros, altos ou baixos, aviões ou crominhos que passam a vida na cave e só conseguem ver a luz do dia para ir a uma convenção. A verdade não é bem assim... mas hoje vou focar-me na pele e nas muitas tonalidades que esta pode ter...

sombra.jpg

fonte: ZonaE

 

Pion Kim, uma cosplayer coreana está a ser o centro das atenções pelo seu cosplay de Sombra. Foram muitos os detalhes que esta cosplayer teve em atenção. Rapou o próprio cabelo e a sobrancelha para ficar o mais parecida possível com a personagem. Faltava um detalhe: ela é branca. Por essa razão escureceu ligeiramente o tom de pele com bronzeador. Ora muitas mulheres fazem isso para parecer mais morenas e não há problema... excepto que aqui esta cosplayer está a ser acusada de Black face. Podem parar aqui para voltar lá acima para rever a definição. Estão de volta? Bora lá então. Ora bem, Black face é algo inaceitável e de cariz racista e associado a sátiras racistas. Aqui o que vemos é uma reprodução fiel de uma personagem e algo que é perfeitamente comum quando se faz cosplay. Se o personagem é azul pintamos a pele dessa cor, usamos perucas, lentes de contacto, usamos maquilhagem e latex para moldar as nossas feições e assim dar vida a uma personagem fictícia... É uma arte. Ao vestir a pele de uma personagem significa que gostamos dela e queremos fazer-lhe justiça, honrá-la e mostrar a todos como a admiramos. Não se está a fazer uma sátira ou a insultar quem quer que seja.

Por outro lado, de acordo com o que tenho lido nas redes sociais e secções de comentários dos diversos sites e blogs que já abordaram este "escândalo", é aceitável alguém de pele mais escura utilizar os mesmos artifícios para parecer caucasiano ou asiático pois estes não são alvo de racismo generalizado.

Agora questiono: então os outros podem ser mais claros e eu não posso ser mais escura? Não temos todos os mesmos direitos?

Acho irónico que a mesma comunidade que está a criticar esta cosplayer é a mesma que acusa alguns cosplayers de white washing por usarem cosplays de personagens de outras etnias sem ter esse tom de pele. Então mas podemos ou não alterar o nosso tom de pele de acordo com a personagem que estamos a representar? Já foram ao cinema ultimamente? Já reclamaram com os actores que usam bronzeador? Se não reclamam com eles porque atacam os cosplayers?

 

Outros falam de apropriação cultural: minha gente vocês comem noodles, assistem a filmes americanos, compram roupa em sites chineses, ouvem música espanhola, comem vacas holandesas e passam férias em Cabo Verde e estão a reclamar de apropriação? Se calhar querem rever aí as prioridades, não?

 

Ironicamente só vejo caucasianos ofendidos com este tipo de situação...

Pessoalmente não vejo mal. "Ahh pois mas tu és uma priviligiada porque és branca!" Dizem os defensores da moral e bons costumes de ocasião. E eu digo-vos "não minha gente", tenho dois dedos de testa (ok mais que a minha é grandita) e vejo cada situação de forma isolada.

O ideal seria isto mesmo, analisar cada situação sem pegar em definições / rótulos e colocar em todo o lado por igual. É assim que a ignorância se espalha (e acho que às vezes é contagiosa).

 

Ao mesmo tempo que toda a situação me irrita, tenho vontade de rir... é que se ela usasse bronzeador por motivos puramente estéticos ninguém iria reclamar de racismo ou apropriação. É moda, certo? Se ela fizesse cosplay de um smurf não ia ofender ninguém porque é uma personagem fictícia... mas a Sombra andou comigo na escola e é vizinha desta malta toda (só pode né?).

Vivemos num mundo cheio de falsos moralistas, donos da verdade e dos bons costumes que continuam a perpetuar ideiais racistas durante a sua luta pela igualdade, que não ser pode igual para todos porque nem todos foram vítimas de discriminação...

 

Se quiserem ver melhor o cosplay brutal podem ver este vídeo. E se tiverem cinco minutinhos aproveitem para ler os comentários dos "lesados" que não percebem o porquê dos caucasianos estarem tão ofendidos (afinal não sou a única).

 

 

E vocês o que têm a dizer?

 

P.S.: se já leram tudo já podem atirar pedras. ;)

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publicado às 21:03

Ainda há jornalismo a sério em Portugal?

por Pantapuff, em 04.06.16

fb´_b.PNG

 

Tenho uma dúvida... ainda se faz jornalismo em Portugal?

Ainda alguém se dá ao trabalho de escrever notícias? Vasculhar arquivos, investigar histórias? Sim vemos aquelas grandes reportagens no final do telejornal. São chocantes, interessantes e deixam-nos a pensar. Mas é apenas isso que resta do jornalismo? Uma grande reportagem uma vez por semana?

Ligar a televisão e ver que o que abre o noticiário é um print screen de uma página de facebook, o que faz capa de jornal é uma citação de um blog pessoal,... Mas os jornalistas já não falam com as pessoas? Esperam que elas escrevam nas suas redes sociais ou ponham uma foto para ter algo com que trabalhar?

Passaram os nossos telejornais a ser uma extensão do facebook e do instagram? Acho que ainda não descobriram o snapchat caso contrário seria uma alegria... 

Chegam sempre atrasados... De que me serve uma grande citação às 13h de algo que um famoso escreveu na noite anterior às 23h?

Questiono-me sobre o que é ser jornalista. É investigar ou ficar a olhar para um feed à espera de algo. Era eu que tinha uma visão romântica do mundo da comunicação e dos media tradicionais ou isto mudou radicalmente? Acabou-se a capacidade de escrita? A imaginação? Questiono-me por vezes até se são os próprios jornalistas (sabem aqueles que dão a cara ou o nome) a investigar, estudar e escrever ou se não temos também ghost writers como vemos nos livros dos famosos...

Como diria a Magda Não estou entendendo...

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publicado às 23:46

#DearDaddy

por Pantapuff, em 17.12.15

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publicado às 14:48

Adopção por casais do mesmo sexo

por Pantapuff, em 21.11.15

Quando começarem a argumentar que casais do mesmo sexo não vão ser bons pais porque as criancinhas vão andar a ser traumatizadas lembrem-se que:
- as crianças são gozadas por ser gordas
- as crianças são gozadas por ser magras
- as crianças são gozadas por andar numa cadeira de rodas
- as crianças são gozadas por ser cegas
- as crianças são gozadas por não usar a roupa da moda
- as crianças são gozadas por usar óculos
- as crianças são gozadas por ler livros
- as crianças são gozadas por não ter um pai
- as crianças são gozadas por não ter uma mãe
- as crianças são cruéis porque os pais nunca as ensinaram a respeitar os outros
- as crianças que estão para adopção só estão porque um casal hetero concebeu essa criança...

 

Quando se preocupam com o bem-estar dessas crianças lembrem-se que um homem e uma mulher podem não ser bons pais. Quantos abandonam os filhos por inúmeras razões egoístas ou os têm a seu cargo e não tomam conta deles.

Podia contar-vos aqui histórias, que conheço, que vos deixariam doentes só de pensar que há crianças nessas situações...

Quando começarem a apregoar que as crianças vão crescer traumatizadas por terem dois pais ou duas mães pensem nas muitas crianças que cresceram sem um pai ou sem uma mãe ou que foram criadas por tias... não morreram e estão bem...

Sim, há sempre uma mágoa por não se crescer com os pais verdadeiros. Afinal de contas porque é que eles me fizeram se não tomam conta de mim? Porque é que não me vão pôr e buscar à escola como os meus amigos? Porque é que quando estou doente não me dão miminhos? Porque é que tenho de viver com outras pessoas e não com eles? Porque é que não gostam de mim? Fiz alguma coisa mal? Porquê? Porquê? Porquê?

O problema aqui é que ninguém ensina às crianças o que é ser tolerante porque os próprios adultos não se lembram do que é ser criança. Muitos nunca passaram pela situação de não crescer com os pais, de ser abandonados.

Mitos homofóbicos andam a boiar na internet de mãos dadas com a intolerância: ahhh se vão crescer com gays vão ser gays... Então se crescerem com heteros vão ser heteros? Faz todo o sentido.

Estou contente, foi passada uma lei que vai permitir que mais algumas crianças tenham uma casa, uma família que os ama, dá carinho e lhes dá mimo. É mais um passo para um futuro risonho. Talvez um dia as pessoas percebam isso... tenho esperança no mundo.

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publicado às 11:52

É preciso dizer basta

por Pantapuff, em 14.11.15

O horror que aconteceu ontem em França foi um doce para quem defende que os Sírios deviam morrer na terra deles.
Voltaram a acender-se as tochas e voltaram a juntar-se para se revoltar contra os que fogem de uma guerra que dura há demasiado tempo.
Estes belos seres vivos ainda não compreenderam que é disto que eles fogem, é isto que o Estado Islâmico faz, os muçulmanos não são o Estado Islâmico nem este representa todos eles...
Vivemos tempos estranhos e tenho vergonha das atitudes de algumas pessoas.
O meu coração está com os franceses e todos os que têm sofrido às mãos de terroristas que nada mais querem além da destruição. Não é por isso que me vou virar contra os refugiados. É tempo de perceber quem são os maus da história.
É preciso pararem de se preocupar apenas durante um par de dias até se mudar a foto de perfil ou quando todos já tiverem partilhado a hashtag do momento...

É preciso fazer algo para que este flagelo tenha um fim.

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publicado às 15:38




Alexandra Rolo | Pantapuff

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Nascida em 1989, em Lisboa e com uma infância marcada por demasiados filmes de ficção científica é formada em História Moderna e Contemporânea (ISCTE-IUL), História Religiosa (FLUL) e Gestão Cultural (ISCTE-IUL). Conhecida online enquanto Pantapuff, é blogger desde 2005 e tem colaborado em diversos projectos online, normalmente ligados às áreas da literatura (fantástica e FC) e da internet. Hoje faz do online a sua vida, trabalhando como gestora de redes sociais. Youtuber, bookworm, cosplayer, nerd, Potterhead e Whovian assumida é normalmente vista de phones, telemóvel, iPad e Kindle. O seu maior medo é ficar sem bateria ou perder o acesso à internet.



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