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Desta vez a Notícias Magazine pediu-me para falar um pouco sobre coisas Kawaii e qual o impacto das coisas fofas na sociedade actual.

 

Como por vezes apagam os artigos mais antigos vou fazer um maravilhoso copy paste para ficar eternamente aqui no estaminé :p

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Ilustração: Filipa Viana/Who

 

A fofura e a sobrevivência da espécie: tudo ligado

A sociedade está cada vez mais apegada às coisas fofas, como um vício.

E se nem todos gostamos exatamente das mesmas, nem tentamos todos preencher um vazio emocional com elas, diz-nos a ciência que nos sentimos sempre mais felizes e atenciosos ao ver uma fofice. Homens incluídos.

Tantas vezes foi gozada pelas fofices que usa – ténis da Hello Kitty, caneta com pompom, mala de peluche –, que Rita Ferreira quase acreditou ser bizarra. «Confesso que antes me incomodavam as piadas, até porque não ando por aí armada em freak. E quem não gosta não olha, não é assim?», desfere a explicadora de 37 anos. É um facto: sempre adorou coisas fofas. No 5.º ano trocou todas as suas Barbies por um casaco com orelhas, pouco comum na altura. No 7.º ano, um anel de ouro pelas pantufas da vizinha, em forma de coelhos (a mãe zangou-se, mas não desfez a troca). Felizmente para Rita, a sociedade enfrenta hoje uma explosão de fofura que lhe facilita a vida: além de haver mais gente cutchi como ela, estão todos a perder a vergonha de mostrar que o são.

«As coisas fofas – kawaii em japonês – podem ou não preencher um vazio emocional, dependendo da intenção de quem as procura», adianta-se Inês Chiote, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia. Por um lado, ao não exigirem tanto como as relações humanas, poderão colmatar alguma lacuna sentida face a si mesmo ou aos outros num mundo pouco empático como o atual: «Uma pesquisa alemã apurou que um terço da população do Japão, o maior exportador mundial de produtos kawaii, não gosta da sua aparência, o que sugere uma possível relação entre a procura desenfreada de fofuras e a falta de autoestima», diz. Por outro lado, o kawaii pode ser «simplesmente uma extensão da nossa forma afetuosa de estar na vida e nas relações interpessoais».

Qualquer que seja o caso, estudos provaram que os centros de prazer do cérebro se excitam diante de algo fofo: o disparo de dopamina é comparável ao de comer chocolate ou fazer sexo, aumentando o desejo de se procurar mais coisas fofas para sentir mais prazer, como um vício. Ter as indústrias de filmes, publicidade e brinquedos a capitalizar este potencial de venda também contribui para o fenómeno. «O que vemos hoje é uma massificação do que já tínhamos há uns anos, agora com maior variedade nas lojas físicas, possibilidade de comprar online a custo mais baixo e adultos a perder a vergonha de usar fofices», justifica Alexandra Rolo, especialista em estudos da cultura e cosplayer (encarna personagens anime em eventos como a Comic Con Portugal, a Iberanime ou o Cosplay World Masters). É oficial: estamos a apropriar-nos da cultura asiática. Nem só o que é americano influencia a juventude.

«A noção de fofo constitui o centro da cultura desenvolvida no Japão, na era do pós-guerra, e invadiu as sociedades ocidentais devido à globalização do consumismo», confirma Ana Cristina Martins, professora de psicologia social no ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida. Para falar da perceção de fofura importa remontar aos anos 40 e ao trabalho do etólogo austríaco Konrad Lorenz, que introduziu a noção de baby schema: um conjunto de traços físicos infantis capazes de ativar nos outros a vontade de cuidar. «Estas características são cabeça e olhos grandes, face arredondada, testa alta e proeminente, bochechas rechonchudas, nariz e boca pequenos, corpo roliço, extremidades curtas e gordinhas», enumera, descrevendo justamente os bebés – o parâmetro universal da fofura.

Lorenz partilhava uma perspetiva evolucionista e considerava que o instinto para nutrir quem fosse fofo constituía uma adaptação para assegurar que os adultos cuidariam das suas crias, garantindo a sobrevivência da espécie. «A tendência comportamental humana para reagir de modo positivo ao baby schema existiu desde sempre, faltava ser identificada», sublinha a doutora em psicologia social. Hoje sabe-se que respondemos à fofura não só tratando-se de crianças, independentemente do parentesco, mas também de adultos, animais e objetos com ar adorável. «Deste modo não é difícil compreender as reações favoráveis aos cachorros e gatos bebés, nem a preferência por certas raças como o cocker spaniel», diz. O mesmo se passa com a Hello Kitty, os Minions ou os Pokémons. «São bonecos que possuem muitas das características do baby schema

Alexandra Rolo sente-se particularmente fascinada com as lolitas que nos chegaram do Japão – mulheres (e alguns homens) que se vestem a preceito com folhos, laços, culotes, saias de balão e até perucas para parecerem bonecas de porcelana. No seu caso, admite que ser fã incondicional de fofurinhas terá muito a ver com o facto de as meninas continuarem a ser educadas para se tornarem cuidadoras, com brinquedos, roupas e acessórios mais kawaii que os dos rapazes. «Quando crescemos, acabamos por comprar estes produtos a preços que, muitas vezes, fazem com que sejam pequenos luxos. Tudo porque nos levam de volta à infância, além de serem facilmente incorporados no dia-a-dia de qualquer pessoa que goste de coisas bonitas.»

E sim, é ponto assente: elas reagem mais facilmente às fofices do que os homens, garante a psicóloga Inês Chiote. «Dois estudos realizados por Gary Sherman na Universidade da Virgínia, EUA, relacionando a tendência para se preocupar com o bem-estar alheio e a resposta à fofura, demonstraram ser mais forte essa ligação nas mulheres, que revelam comportamentos físicos de cuidado diante de imagens fofas.» Outra pesquisa de Reiner Sprengelmeyer, da Universidade de Saint Andrews, Escócia, ressalva porém que até mesmo entre mulheres a sensibilidade varia consoante o estado hormonal, personalidade individual e diferenças culturais. Ainda assim, todos nos sentimos mais felizes e atenciosos ao ver algo fofo. Homens incluídos.

«Lá está, quando se trata de coisas que remetem para o nosso lado emocional, deixamo-nos ir. É muito fácil abrir o coração e os cordões à bolsa», explica a designer gráfica Joana Duarte, autora dos famosos dixubos – bonequinhos roliços que ilustra a pedido dos clientes, dotando-os dos pormenores dos retratados: mesmo cabelo, cor dos olhos, sapatos, estilo de roupa, verniz das unhas, o que for. «Os meus dixubos tiveram sempre muita adesão por parte do público feminino. A um nível inconsciente, acho que preenchem um lado nosso mais vazio, carente de ligação e empatia, que mexe com o instinto de proteção. Serem personalizados à imagem de alguém querido só aumenta o sentimento de carinho.»

Bastantes homens pedem-lhe para desenhar o casal, a filha, a namorada, os animais de estimação, mas raramente eles próprios. «Acham os bonecos uma mariquice, embora boas armas de conquista», ri-se a criativa. E isto porque, lá bem no fundo, também eles lhes reconhecem a força inerente às coisas fofas. Um poder tão evidente que investigadores da Universidade de Hiroshima, no Japão, concluíram que ver destas imagens melhora a performance em tarefas que exijam elevada concentração e minúcia, potenciando a interação social. Se um dia o seu chefe o apanhar de surpresa a ver vídeos de gatinhos no YouTube, afirme sem receio estar a aumentar a produtividade no trabalho. A ciência dá-lhe toda a razão.

Uma bolsa que vira coelho
E porque de fofuras está o Japão cheio, a última tendência a correr mundo só poderia ter vindo de lá: um saco de compras com focinho, cor de roedor e orelhas que, uma vez enlaçadas para fechar o conteúdo no interior, formam o que parece ser um coelho (existem quatro versões diferentes). A ideia baseia-se no tradicional furoshiki – uma técnica de embrulho de objetos com lenços de tecido, muito utilizada para embalar presentes – e foi lançada pela marca japonesa Felissimo (http://www.felissimo.co.jp/) a cerca de 23 euros cada uma. Para quê ter as conservas à solta na despensa quando pode acondicioná-las em bichinhos amorosos?


Autoria: Ana Pago
Fonte: Notícias Magazine

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publicado às 17:26

Sono no notícias magazine

por Pantapuff, em 12.05.15

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Este domingo saiu um artigo no Notícias Magazine sobre padrões de sono e fui uma das entrevistadas. Quem leu? 

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publicado às 09:30

Blogosfera: Sofia Teixeira (Bran Morrighan)

por Pantapuff, em 26.01.15

Olá a todos!

Os mais atentos sabem que, no ano passado, eu tentei criar uma série de entrevistas a bloggers que acompanho, no entanto a vida meteu-se pelo meio e depois tudo o resto...
Este ano ando a dar a volta a casa e a dar ordem a este caos que tem marcado a minha presença nas várias redes, incluindo aqui o blog. Aos poucos tudo se tem organizado e agora chegou a altura de voltar ao plano das entrevistas. Todos os meses irei tentar apresentar um blogger e dar-vos a conhecer um pouco mais sobre o que acontece no background da bloggosfera.

 

 Quem anda nestas coisas dos livros e acompanha blogs é quase impossível não conhecer o Bran Morrighan. Um blog escrito pela mão da Sofia Teixeira que, durante o último ano fez a transição que eu já há muito estava à espera.

 

Vamos lá ver se não me esqueço de nada: Estudante, professora, jogadora de basket, blogger, repórter, … pareces ser a mulher dos sete ofícios. Mas conta-nos lá afinal quem é a Sofia Teixeira?

A Sofia Teixeira é uma miúda de 26 anos que tem uma sede de vida inacreditável. Passo a vida a discutir com ela, não tens noção (risos). Bem, dá para imaginar a quantidade e diversidade de pensamentos que por vezes competem com a minha atenção não dá? No fundo, a Sofia Teixeira é uma mulher que quer preservar a capacidade de olhar para o que a rodeia como se fosse a primeira vez, como quando somos crianças e começamos a descobrir cada um dos nossos cinco sentidos – com deslumbramento e ao mesmo tempo cautela, tendo sempre a noção que só eu, por mim mesma, poderei descobrir aquilo de que gosto e de que não gosto.

 

O BranMorrighan começou como um espaço pequeno sobre neo-paganismo, daí passou a pequeno diário pessoal e como se deu o salto para o blog de referência da esfera literária?

Acho que se soubesse responder a esta questão significaria que tudo teve um propósito ou um fio condutor, coisa que não aconteceu. Acho que o mais perto que consigo de tentar explicar o que, para mim, ainda é uma espécie de fenómeno, é que com o tempo eu cresci e comigo também o BranMorrighan cresceu ao tornar-se uma extensão, uma projecção virtual de algumas facetas reais minhas. Não é falsa modéstia quando digo que ainda hoje não encaixo completamente em mim essa categoria de “referência da esfera literária”. Não querendo ser mal agradecida por quem me tem considerado tal, não sei se as pessoas têm noção que todo o trabalho literário é feito por apenas uma pessoa. Dizerem que o BranMorrighan é uma referência é dizerem que a Sofia Teixeira é uma referência e isso, para mim, não se coloca. Não me vejo como uma referência literária; não tenho formação na área, não tenho uma escrita espectacular, tenho apenas uma paixão pelos livros que é comum a muita gente, eu apenas sou louca o suficiente para o expressar abertamente mesmo que não vá de encontro aos gostos dos outros. Se ser atrevida, ou corajosa, pode ser sinónimo de referência, então aí bate certo

 

Sabes que te acompanho há alguns anos e tenho visto o teu blog crescer. No último ano o teu blog cresceu e alterou-se. Como está a correr esta aventura no mundo da música?

Um ano... Sim, precisamente um ano! O tempo passa num instante! Sabes, é um mundo completamente diferente da literatura. Muito mais dinâmico, muito mais a acontecer a todo o momento, é de loucos. Só a semana passada tive a oportunidade de ver três concertos e faltei a outros três – todos em Lisboa – só a título de exemplo. Mas voltando à questão principal, está a correr muito, muito bem. A música, a par com a literatura, por vezes mais, sempre teve uma grande importância na minha vida. Todos passamos por aquelas fases de adolescente em que andamos viciados com os leitores de cassetes, ou com os discmans, e os headphones, volume no máximo e é rebeldia por todos os poros. Digo eu; eu passei por essa fase, a fase do punk, do metal, para depois estabilizar num mar de sons tão eclético como inclassificável. Conhecer artistas que admiro há anos, sentar-me a conversar com eles, poder ir a muitos mais concertos por, felizmente, conseguir entrar como imprensa, bem, não podia pedir mais, pois não? Tenho conhecido pessoas inacreditavelmente tão talentosas como magníficas enquanto seres humanos. Estou mesmo muito feliz.

Como é que a fotografia entrou na tua vida?

Lembras-te do evento no Auditório Orlando Ribeiro? O meu primeiro evento com literatura e música? Ainda nem tinha noção do que andava a fazer... Acontece que tinha um amigo meu, com a máquina de outro amigo que a tinha emprestado, a tirar umas fotografias. No fim, deixou-me a máquina para eu devolver ao meu amigo. Quando a ia devolver, ele falou-me que estava a pensar vendê-la, por querer comprar uma melhor. Bem, tornou-se na minha primeira máquina. Uma Canon 450D, com uma lente de 50mm f1.8, que rapidamente se tornou noutra extensão de mim. Nunca tinha fotografado na vida nem sabia se me iria conseguir entender com a máquina, até que um dia vi que os You Can’t Win, Charlie Brown iam tocar na FNAC do Chiado, num show case, e decidi levá-la. Terríveis as fotos! Passado pouco tempo, essa mesma banda, fez uma temporada de três dias no Musicbox. Tanto a banda como o local viriam a tornar-se tão especiais para mim que é inimaginável. A banda porque, para além de os admirar enquanto músicos e grupo, tornou-se no meu primeiro projecto fotográfico. Fiz n experiências durante aqueles dias e foi quando me tornei companheira da máquina, sem grande brigas, só uma grande curiosidade. O local porque é onde mais fotografo – mesmo sendo um local complicado por o ISO da minha máquina ser no máximo de 1600 – e porque veio ser a primeira casa a albergar um primeiro evento puramente musical do meu BranMorrighan. Não me considero, de todo, uma fotógrafa e muito menos uma boa, mas sim, tem sido uma boa aventura

 

Sei que a tua noção de tempo livre é um bocado diferente da maioria das pessoas, mas tenho de perguntar: como os ocupas?

Hum. Ok, disse-te que ia responder a esta entrevista com as primeiras coisas que me viessem à cabeça, mas esta é complicada. É assim, o blogue é algo que faço nos tempos livres e nos tempos a que forço que sejam livres. Tentando ainda assim responder ao que me perguntas, acho que esses tempos livres podem ser aqueles em que escolho fazer todas essas , e mais algumas, sem que esteja directamente relacionado com todas as minhas actividades. Ou seja, eu adoro ir ao Porto, ou a Leiria, só por ir. Ir a Paredes de Coura no Verão então é certinho direitinho. E gosto quando é decidido assim, em cima da hora. Levo na mesma o meu livrinho, o pc vai de arrasto por descarga de consciência, mas nesses dias só quero estar com as pessoas. É isso! A resposta é mesmo esta – nos meus tempos livres gosto de me encontrar e de estar verdadeiramente com as outras pessoas. Quer estejam relacionadas ou não com o que costumo fazer, sabe bem trocar ideias, passear, ir ver uma peça ou sentar-me debaixo de uma árvore qualquer a apanhar sol e ver o rio ou o mar. Sempre que posso, é para esses sítios onde tenho um maior contacto com as pessoas e a natureza que me refugio. Parecendo que não, tudo o resto, mesmo quando lido com dezenas de pessoas diariamente, é bastante solitário.

 

A pergunta complicada... o nosso país é tão pequeno e toda a gente se conhece. Como é a tua relação com outros bloggers?

Ahahah, ora aí está a pergunta de um milhão. Falas-me de bloggers de música ou de literatura? É que também esses são diferentes uns dos outros, não sei, deve ser dos sentidos que despertam também serem diferentes ou terem diferentes intensidades. No geral, dou-me bem com aqueles que me são mais próximos e não o escondo. É fácil as pessoas perceberem de quem eu gosto ou com quem convivo mais porque sou uma pessoa expressiva. Depois existem os restantes, que respeito. Quer goste ou não das pessoas, respeito o que fazem... Ou o que tentam fazer. Estou nisto da blogosfera há mais tempo do que a maioria. Já vi muitos blogues a serem formados, outros tantos a desaparecer e ainda mais aqueles que acharam que tinham algo a dizer e depois acabaram por não dizer nada. Aqui o simples é que eu escolho as pessoas com que me dou e, tal como eu respeito as escolhas dos outros, só posso esperar que respeitem as minhas.

 

E planos para o futuro?

Há quem use a expressão “um dia de cada vez”, eu já desisti , uso a expressão “uma hora de cada vez”. Neste momento estou a acabar de responder às tuas perguntas e a imaginar a quantidade de haters e copy cats que me estão a chamar nomes ao lerem a resposta anterior. (risos) Depois disso tenho um relatório de doutoramento para terminar e ainda uma série de outros assuntos académicos para tratar. Bem, é sempre tudo uma incógnita não é? Eu não sei o que vai acontecer no futuro, mas sei o que quero sentir no futuro – uma realização e gratificação idênticas, ou mais fortes, às que senti neste último ano. Foi um ano muito exigente, normalmente só dou a conhecer as coisas boas, as más nem por isso, mas valeu a pena. De imediato vou ter nova Festa de Aniversário no Porto e, não querendo prometer datas concretas, lá para o final de Fevereiro ou Março, o lançamento da colectânea Desassossego da Liberdade. Vou ter o nosso grande Noiserv a estrear-se na literatura e o conto dele é só lindíssimo. Mal posso esperar!

 

Foto: Vera Marmelo

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publicado às 21:30

No dia da estreia da nova temporada de Doctor Who, como todos sabem, fui ao cinema UCI do El Corte Inglés de Lisboa. Lá acabei por conhecer o moço (cujo nome me esqueci uma vez mais) que faz parte da página Whoniverso e que acabou por me fazer umas perguntinhas no final. Este foi o resultado:

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publicado às 09:20

Blogosfera: Joana Cardoso (The Paper & Ink)

por Pantapuff, em 08.10.13

Olá a todos, acompanho alguns blogs quase religiosamente e gostava de partilhar com vocês alguns dos meus favoritos, mas em vez de estar aqui eu a papaguear o melhor é mesmo ter os bloggers que adoro a falar um bocadinho =)


«I'm a 23 year-old Portuguese girl with a love for art, fashion and all the beautiful things!»

 

1.     Esta tua introdução no blog diz muito pouco sobre ti. Há muita coisa que fica por dizer e sei que és mulher de muitos amores. O que mais nos podes contar sobre ti?
Sim, é bem verdade, mas aprendi por conta própria que dizer logo muito ou afugenta rapidamente muita gente ou muitos perdem logo o interesse, portanto preferi passar a revelar pouco para que me possam conhecer melhor aos poucos. E sim, tenho muitos amores, talvez demasiados, mas isso já muita gente sabe. Sobre mim? Sou nortenha ferrenha, nascida e criada, e estudo Artes Plásticas. Não me considero uma artista e não tenho pretensões de ser intitulada de tal, e apesar de adorar muita coisa dentro do mundo da arte a fotografia e a moda são as minhas grandes paixões, desde há muito, apesar de até muito tarde na minha vida (e o bichinho ainda lá está e por vezes ainda me grita aos ouvidos) ter querido ser médica.
Sou pouco social, por assim dizer, ao contrário do que era há alguns bons anos atrás, acho que as experiências de vida assim fizeram com que me retraísse mais e me tornasse numa pessoa que prefere ficar num sítio calmo, como em casa, ou se tiver de sair que seja com pouca gente, com bons amigos, a um sítio aonde se possa falar, portanto o blog acaba por ser uma espécie de escapatória aonde consigo ser mais efusiva do que aquilo que aparento ser no dia-a-dia para quem me conhece “na rua”. Há tanto que podia dizer sobre mim, mas nem sei por onde pegar e a resposta já vai longa!

2.     O The Paper and Ink é um blog de fashion & lifestyle e juntas nele aquelas que parecem ser as tuas maiores paixões: moda e fotografia. O que te levou a criar este espaço?
Sim,sim,sim! São as minhas paixões, as maiores e mais verdadeiras, por assim dizer. Quando criei o The Paper and Ink, ainda em 2009 (apesar dos posts dessa data já não existirem) o meu intuito era ter um blog aonde pudesse partilhar tudo, mas mesmo tudo, de fotos a inspirações, culinária a diários, mas com o tempo e o conhecimento o blog acabou por enveredar no caminho da moda e da beleza, sendo sempre mais direccionado para este tipo de temas, apesar de de vez em quando haver um ou outro post que sai da rotina. Sinceramente, foi ao conhecer melhor a blogosfera, e em especial quatro blogs que adoro imenso (Niotillfem,The Cherry Blossom Girl, WishWishWish e Bakerella), que decidi que queria um espaço assim para mim mesma, sem na altura ter muita noção do que iria sair dali.

3.     Muitas pessoas acham que a moda é só para quem é um cabide com pernas e tu mostras que qualquer pessoa pode estar bem vestida independentemente do corpo que tenha. O que gostarias de dizer a essas pessoas?
Oh dear god, esta mentalidade já está a começar a entrar em vias de extinção, ainda bem, mas de facto tens razão, ainda há muita gente a pensar assim. Apesar de saber que estou longe de ser um blog que marca por esta diferença, porque há de facto tantos outros a nível internacional que conseguiram e conseguem ainda ter uma palavra sobre isto e fazer ouvir a sua voz, acho que a nível nacional sou das poucas bloggers “plus size” que não se importa de dar a cara, o corpo e a voz ao manifesto. Eu acho que a moda vai do tamanho 28 ao 58 (e acima disso se for preciso), o que realmente interessa é o estilo já que a moda, assim dita, é algo tão efémero e sempre em constante mudança. Sim, há coisas que num tamanho grande não ficam bem, mas há outras que não assentam bem em alguém magro, sejamos sinceros. Confiança e amor-próprio, saber vestir bem e usar-mos aquilo que queremos sem termos medo de que fiquem a olhar para nós. Por vezes acho que se fala muito mas há também muita gente com inveja por termos a coragem de vestir certas coisas. Acima de tudo a moda é para todos, não devia ser algo elitista e definido por um número que vai de X a Y, não, isso não! Ainda há muito trabalho pela frente neste departamento, sobretudo no nosso país, mas como costumo dizer, quem não quiser que não olhe.

4.     No teu blog tens mostrado os resultados da tua dieta e idas ao ginásio. O que gostarias de dizer àquelas pessoas que, como eu, andam sempre a fugir do exercício físico?
Ok, aqui vai a conversa do “olha para o que digo,não olhes para o que faço” porque ando a desleixar-me tanto que nem é bom. Mexer o rabinho é um gosto adquirido, a sério. Eu por exemplo toda a vida odiei correr, mas no ginásio dou por mim a ir sempre para a passadeira. Pode até nem ser para correr mas para andar a uma velocidade alta e sempre constante, é algo que faz bem, e acreditem quando saímos do ginásio, depois e um bom banho, sentimo-nos muito, mas mesmo muito bem connosco mesmas. Um bom plano, feito por um preparador físico que entenda as nossas necessidades é algo de extrema importância. Não se ponham a fazer coisas sem saberem o que são, para que servem e acima de tudo sem saber se vos traz benefícios ou prejuízos, friso isto especialmente para quem como eu tem problemas de coluna e afins. Não se matem logo no começo, porque quando se inicia é tudo lindo, mas cansamo-nos depressa, comecem aos poucos, 2 ou 3 vezes por semana, não queiram logo açambarcar o céu com as pernas, e tenham em mente que as diferenças a nível físico demoram algum tempo para serem vistas, mas a nível psicológico sentimo-nos quase instantaneamente muito melhores. E boa música, com mais de 120 batidas por minuto (eu adoro Muse por exemplo) sempre nos ouvidos, e se conseguirem um amigo/a para vos manter motivados.

5.     Sei que gostas de ler, tens algum livro / série ou autor (a) favorito(a)?
Gostar de ler é dizer pouco, porém não tenho tido o tempo que gostaria de ter para o fazer. Livro tem sido desde há muito “O Fantasma da Ópera”, eu sei que é um pouco genérico, mas adoro a história, o facto de ser ficção gótica (o meu estilo favorito) e por em parte me fazer sentir que aquilo aconteceu mesmo, e que o fantasma andou por lá e tudo o resto. Série, oh pah, vou ter de ir para o Harry Potter (sei que as minhas respostas para quem gosta de ler são muito nojentinhas e main stream) porque  comecei a ler HP quando tinha 10 anos, aos 11 esperei recebei a carta de Hogwarts e basicamente cresci com os livros, as personagens e todo o universo aonde me insiro perfeitamente e do qual nunca me desligarei. Em termos de autores, são demasiados aqueles de que gosto. Em português sou apaixonada pelo Eça (devo ter sido a única pessoa no secundário que o adorou a ele aos Maias), gosto de Miguel Esteves Cardoso (faz-me sempre rir imenso, e também pensar), gosto da falecida Sophia, e muitos outros, mas ainda quero muito descobrir bons autores menos conhecidos e tenho feito pouco para isso. Adoro Oscar Wilde, Lewis Caroll, gosto de autores de contos populares como o Hans e os irmãos Grimm. Acima de tudo se me derem Ficção Gótica eu fico toda feliz e não vos chateio enquanto o livro não acabar.

6.     Agora vamos lá à cusquice: quais são os teus guilty-pleasures?
Ai ai ai, já sabia que vinha ai isto. Sinceramente, tenho muitos. Em termos literários (e matem-me agora, sei que tu Alexandra vais-me encher os ouvidos) gosto da trilogia do 50 Shades (oh pah,eu sou badalhoca e gosto de coisas porcas, apesar daquilo ter coisas muito más) e gosto ainda de livros infantis daqueles mesmo fáceis de ler (ao sou de extremos). Depois temos toda uma lista de guilty pleasures musicais, desde os Abba, à Lady Gaga, às músicas comerciais que passam na rádio que toda a gente sabe mas ninguém admite conhecer e assim. Em termos culinários, gosto de farturas frias, ao pequeno almoço com um copo de água (geladinho de preferências). Chega de guilty pleasures? Ou querem coisas que não querem ouvir nem saber?

7.     E planos para o futuro?
Muita coisa. Primeiro, acabar o maldito curso e passar para o curso de fotografia. Logo ai vou precisar uma câmara nova e com ela conto fazer mais trabalhos, e melhores, conseguindo angariar mais clientes. Viajar mais do que aquilo que fiz até então, ir até Londres (cidade que mais adoro) e quem sabe por lá fica (mas parece-me pouco provável). Talvez tirar uma formação em maquilhagem….Isto tudo seria num prazo de 2/5 anos. Mas a longo prazo mesmo tenho aqueles sonhos “em grande”, como ser mãe e ter uma família, numa casa só minha, talvez fora de Portugal. Tornar-me editoria de moda ou beleza numa revista importante, preferencialmente a Vogue, e ainda ser uma fotografa de moda relativamente conhecida (ainda não espero ser a Annie Leibovitz mas vou trabalhar para isso), e basicamente continuar a dar conta do blog e torna-lo em algo maior e ainda melhor, sem nunca desistir nem abrir mão dele.

 

 

Obrigada pela oportunidade, espero que se riam muito comigo e com a entrevista, mas assim já ficam a conhecer-me um bocadinho melhor…mas isto é só a ponta do véu.

http://www.thepaperandink.net

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publicado às 20:07



Alexandra Rolo | Pantapuff

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Nascida em 1989, em Lisboa e com uma infância marcada por demasiados filmes de ficção científica é formada em História Moderna e Contemporânea (ISCTE-IUL), História Religiosa (FLUL) e Gestão Cultural (ISCTE-IUL). Conhecida online enquanto Pantapuff, é blogger desde 2005 e tem colaborado em diversos projectos online, normalmente ligados às áreas da literatura (fantástica e FC) e da internet. Hoje faz do online a sua vida, trabalhando como gestora de redes sociais. Youtuber, bookworm, cosplayer, nerd, Potterhead e Whovian assumida é normalmente vista de phones, telemóvel, iPad e Kindle. O seu maior medo é ficar sem bateria ou perder o acesso à internet.


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  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

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